Como interpretar os resultados do teste BRCA

A principal questão ao se interpretar um relatório de teste BRCA é: Isso afeta na conduta clínica para esta paciente?

  • É essencial estabelecer a presença de uma mutação BRCA e se ela oferece risco1
  • O relatório deve apresentar a evidência e fazer recomendações para o gerenciamento clínico com base na classificação da mutação2
  • É patogênica, neutra ou de significado clínica desconhecida?
  • Também deve incluir uma declaração de quais genes foram testados e por que, a extensão e os limites da análise e os métodos utilizados

Leia aqui as diretrizes do EMQN para as melhores práticas.

Estabelecendo o tipo de mutação e se ela é prejudicial

  • Isso geralmente é feito por consulta das diretrizes da American College of Medical Genetics (ACMG)3
  • A partir daí, a ACMG recomenda procurarem bancos de dados públicos para mutações previamente classificadas.3 Para mutações BRCA, esses bancos de dados incluem a base dados SIC publicamente disponível ou a Mutation Database (DMuDB)
  • A Myriad também possui uma base dados ampla, mas não é de acesso público

As mutações BRCA são comumente classificadas usando um sistema de 5 classes

  • A classificação das mutações BRCA geralmente é feita de acordo com um Sistema de 5 classes elaborado pela International Agency for Research on Cancer2,4
  • Cada classe é associada a recomendações específicas de gerenciamento clínico4
  • Relatar novas variantes é importante para a coleta de dados sobre mutação e é estimulado – para mais informações, consulte as Diretrizes EMQN para as melhores práticas

Sistema padronizado de 5 classes para classificação de mutações BRCA1,4

Resultado do teste: Mutação patogênica I suspeita

Exemplo de mutação:

  • Terminação precoce da proteína

Classe 1–5:

  • 5 e 4

Recomendação para gerenciamento clínico

  • Mutação associada à doença detectada
  • Base para testes preditivos dos membros da família; pode ser utilizada para o gerenciamento clínico do paciente

Resultado do teste: Variante genética de significado

Exemplo de mutação:

  • Algumas variantes missence e deleções in-frame

Classe 1–5:

  • 3

Recomendação para gerenciamento clínico:

  • Variante de significado incerto detectada
  • Significado clínico desconhecido
  • Nenhuma evidência para alterar o gerenciamento clínico do paciente ou oferecer testes preditivos para parentes

Resultado do teste: Variante genética, polimorfismo

Exemplo de mutação:

  • Variante(s) genética(s)que provavelmente pouco contribuem para risco de câncer
  • Dados de frequência de alelos sugerem polimorfismo

Classe 1–5:

  • 1 e 2

Recomendação para gerenciamento clínico:

  • A variante foi confirmada como não clinicamente relevante, mas não foi mencionada no relatório clínico como uma variante neutra benigna

Resultado do teste: Nenhuma mutação detectada

Exemplo de mutação:

  • Variante(s) genética(s) na região de codificação de proteína que nem altera a sequência de aminoácido nem é preditiva de alterar a proteína significativamente

Classe 1–5:

Recomendação para gerenciamento clínico:

  • Detalhes da extensão e dos limites da análise (por exemplo, tipos de mutação que não foram cobertos)
  • Sugestão de testes adicionais
  • Membros da família devem ser testados se houver um forte histórico familiar de mutações BRCA
  • Disposição hereditária não pode ser excluída
Resultado do teste Exemplo de mutação Classe 1-5    
Recomendação para gerenciamento clínico
Mutação patogênica I suspeita Terminação precoce da proteína    5 e 4 Mutação associada à doença detectada
Base para testes preditivos dos membros da família; pode ser
utilizada para o gerenciamento clínico do paciente
Variante genética
de significado
Algumas variantes missence e deleções in-frame        3 Variante de significado incerto detectada
Significado clínico desconhecido
Nenhuma evidência para alterar o gerenciamento clínico do paciente ou oferecer testes preditivos para parentes
Variante genética, polimorfismo Variante(s) genética(s) que provavelmente pouco contribuem para risco de câncer
Dados de frequência de alelos sugerem polimorfismo
    1 e 2 A variante foi confirmada como não clinicamente relevante, mas não foi mencionada no relatório clínico como uma variante neutra benigna
Nenhuma mutação detectada Variante(s) genética(s) na região de codificação de proteína que nem altera a sequência de aminoácido nem é preditiva de alterar a proteína significativamente   Detalhes da extensão e dos limites da análise (por exemplo, tipos de mutação que não foram cobertos)
Sugestão de testes adicionais
Membros da família devem ser testados se houver um forte histórico familiar de mutações BRCA
Disposição hereditária não pode ser excluída

Sistema de 5 classes da International Agency for Research on Cancer:

Referências

  1. EMQN Guidelines 2007. Available at: http://www.emqn.org/emqn/digitalAssets/0/232_EMQNBRCAguidelines0908.pdf. Last accessed January 2015.
  2. Wallis Y, et al. Practice Guidelines ACGS 2013.
  3. Richards SC, et al. Genet Med 2008:10:294–300.
  4. Plon SE, et al. Hum Mutat 2008;29:1287–91.